Problemas de Aprendizagem – Entrevista

Entrevista com a Psicóloga Fernanda Couto – Problemas de Aprendizagem

Você está com dúvidas referente a problemas de aprendizagem? Nós sabemos que as dificuldades podem estar relacionadas a diversos fatores e que não há uma causa única que as determine, cada sujeito aprende de acordo com seu ritmo e de uma forma diferente. Quando a aprendizagem não se desenvolve da maneira esperada pelos pais, escola e criança, começamos a pensar que o sujeito pode estar com dificuldades no processo do aprender. Nós conversamos com a psicóloga Fernanda Couto sobre a aprendizagem e esclarecemos algumas dúvidas sobre o tema. Confira a nossa entrevista.

P: Muitas pessoas confundem dificuldade com transtorno. Realmente existe diferença entre eles? E o distúrbio?

R: Sim. Transtornos de aprendizagem são inabilidades específicas, como de leitura, escrita, gramática. Possuem uma base genética, ocorrendo em indivíduos com inteligência compatível com sua idade, mas com o rendimento escolar abaixo do esperado. Eles afetam as habilidades específicas e permanecem ao longo da vida.

O distúrbio, geralmente, ocorre quando há alteração biológica, no sistema nervoso central. Segundo o Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem dos EUA, o termo é genérico e se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso das habilidades.

Já a dificuldade de aprendizagem acontece por diversas causas. Pode ocorrer quando o indivíduo está passando por momentos de dificuldades na vida e que acabam refletindo no processo do aprender, inadaptação a metodologia da escola, fatores emocionais, orgânicos e ambientais. Além disso, há outras dificuldades de segunda ordem, como síndrome ou outras doenças.

P: Há como prevenir algum desses problemas de aprendizagem?

R: Não há prevenção para transtornos ou distúrbios, mas existem tratamentos que podem minimizar os efeitos e criar estratégias. Já as dificuldades podem ser prevenidas ao disponibilizar mais atenção, acompanhar e observar a criança. O relacionamento dos pais conta muito para prevenir dificuldades de aprendizagem dos filhos. O diálogo e a verdade são fatores que levam o sujeito a sentir confiança e saber que pode contar com os pais.

P: Quais são os problemas mais diagnosticados hoje em dia?

- Agitação (normalmente, os professores são um dos primeiros a observar essa agitação e indicam um acompanhamento com um profissional da área da saúde);

- Desatenção;

- Falta de interesse;

- Dislexia;

- Disortografia;

- Dislalia.

P: A questão da hiperatividade no Transtorno de Déficit de Atenção causa muitas dúvidas entre os portadores e os pais dessas crianças.   A hiperatividade sempre vem associada a falta de atenção?

R: Não. A agitação pode aparecer separada da falta de atenção, porém, o mais comum é que os dois apareçam juntos. A pessoa muito agitada tem dificuldade de focar a atenção em algo específico. Ocorre a “hipervigilância”, o sujeito percebe e presta atenção em tudo a sua volta, por esse motivo existe a dificuldade de focar em algo.  O déficit de atenção é a “hipotenacidade”, isto é, a baixa capacidade de se concentrar e prestar atenção quando necessário. É como se um fosse consequência do outro, por isso que é muito comum a hiperatividade e o déficit de atenção virem juntos.

P: Qual é a ajuda que os pais podem oferecer aos filhos que vêm apresentando dificuldades para aprender? Como eles devem agir?

Geralmente, quem vive em um ambiente agitado, será agitado da mesma forma. Sendo assim, é importante perceber a criança, em quais locais ela está agitada, se é só em casa, só na rua, só na escola ou em todos os lugares. Quando ocorre de a pessoa ser agitada em um ambiente específico, certamente o problema está ali. Por exemplo, na escola, ela pode não estar adaptada com a metodologia, com os colegas ou professores. Se ela for agitada só em casa, deve-se observar o que pode estar causando essa atitude, problemas com os pais, mudanças, separação… É importante ressaltar que, hoje em dia, nós vivemos em um mundo agitado e que isso pode deixar as crianças da mesma maneira.

P: Como deve ser o tratamento de crianças com TDA/H?   

R: Existem remédios que tratam a falta de atenção e a hiperatividade, mas muito se discute sobre o uso exagerado desses medicamentos. O número de receituários vem aumentando, a medicina  moderna detecta muitas coisas e, com essa vida tão corrida, acabam prescrevendo remédios. As crianças vivem como se fossem pequenas empresárias, cheias de compromissos: da escola para a natação, da natação para a dança ou futebol, depois para o inglês, para as aulas particulares… E por aí vai! Acredito que em alguns casos o remédio seja necessário, mas como uma intervenção auxiliar e temporária, considerando a idade, os efeitos, o meio em que a criança vive, entre outros.

P: Nós sabemos que fazer uso de qualquer medicamento envolve riscos, efeitos colaterais, dependência… O que pode ser feito antes de se recorrer ao remédio?

R: Antes de recorrer ao medicamento, deve-se saber como a criança está agindo em outros lugares, se a agitação ocorre em um determinado lugar ou em todos os lugares que frequente. Caso a agitação ocorra independente do ambiente, o ideal é procurar ajuda de um profissional da área da saúde que vá realizar um diagnóstico e entender o que pode estar causando essa dificuldade no sujeito. O tratamento inicial não necessariamente venha com o remédio.

P: Quais os tipos de tratamentos para o TDA/H?  

R: Existe o tratamento realizado com o médico, que será medicamentoso. O resultado é mais rápido e o remédio poderá ser trocado, caso o paciente não reaja bem.

E temos a psicoterapia, que é um tratamento demorado, porém os resultados permanecem a longo prazo, sem levar o organismo a dependência do medicamento. Os dois tratamentos podem ser feitos paralelamente, em conjunto.

P: Qual é o ideal para o tratamento?

R: O ideal é, primeiramente, buscar a psicoterapia, pois não tem a influência medicamentosa. Em casos com mais prejuízos na vida da criança, o remédio entra como colaborador, como um auxilio.

P: Qual é o objetivo da psicoterapia? Como ela pode ajudar e desenvolver a criança com dificuldades de aprendizagem?

R: O objetivo geral da psicoterapia é obter ganhos nos relacionamentos pessoais, desenvolvendo as capacidades cognitivas, sociais e afetivas do sujeito. É importante trabalhar o que essa agitação está querendo dizer, o que está por traz dela. O remédio acalma a pessoa hiperativa, mas se não tratar essa agitação e descobrir seus motivos, uma hora ela vai explodir, mesmo com o medicamento. O remédio tem um efeito a curto prazo.

P: Quais as consequências e prejuízos de um tratamento tardio?

R: Quanto mais tarde realizar o tratamento, maior serão os agravos, tanto social, quanto afetivos. Além de a criança não aprender, ainda poderá ser excluída pelos colegas, ser taxada com nomes pejorativos, entre outros prejuízos.

P: Quais situações podem desencadear a agitação ou a falta de atenção no indivíduo?

R: Os pais devem acompanhar o desenvolvimento da criança e observar o que pode estar causando os problemas de aprendizagem, por exemplo: mudanças drásticas  na vida ou na escola; morte na família, separação ou mau relacionamento dos pais; nascimento de um irmão… É muito importante obter um diálogo com a criança.

P: É importante não estigmatizar a criança, em casa, na escola ou em qualquer outro lugar. Como os pais e professores podem agir para que isso não aconteça?

R: Tanto os pais, quanto os educadores devem considerar as individualidades. Cada um reage de uma forma, então, não generalize, evite castigos indevidos e comparações entre os filhos ou alunos. Ter um olhar individual e perceber cada um, dando atenção, colocá-lo para sentar mais próximo do professor, se necessário, sem constrangê-lo, conversar com os pais, é fundamental para o desenvolvimento do aluno.

P: Como descobrir se a criança vem sofrendo dificuldades por ter algum transtorno de aprendizagem ou por não se adaptar a metodologia da escola?

R: Uma maneira de tentar entender os problemas de aprendizagem da criança é observar se o comportamento dela é igual nos demais lugares e se tem mais alunos com dificuldades em sala. Ela pode estar passando por dificuldades na vida que estão refletindo no seu processo para aprender, não necessariamente ela tenha algum transtorno de aprendizagem. Se a falta de concentração da criança é apenas em sala de aula, provavelmente ela esteja passando por momentos de dificuldades por falta de adaptação a escola, por exemplo.

P: A participação de um psicólogo em cada escola é importante?

Sim, e muito! A atuação do psicólogo nas escolas não é só clínico, mas também institucional. Ele não está ali apenas para diagnosticar, mas para auxiliar os professores, coordenadores, enfim, a instituição como um todo. O psicólogo institucional oferece um olhar diferenciado, indica atividades específicas, trabalha o relacionamento, busca identificar crianças com possíveis dificuldades, entre outras funções. Cada escola deveria ter um psicólogo.

P: Fernanda, para finalizar, quais dicas de hábitos de estudos você pode sugerir para os nossos leitores?

É claro que existem alguns hábitos de estudos que prejudicam a aprendizagem do aluno, como estudar diante do computador, vendo televisão, atento ao celular. Estudar em lugares ou horários inoportunos também prejudica. O que seriam esses lugares inoportunos? Deitado ou sentado na cama, na hora da novela predileta ou do jogo de futebol, enfim. É importante que os pais deem exemplos para o filho ir estudar, é válido acompanhá-lo e estarem prontos para ajudá-lo.

 

Quer enviar suas dúvidas para a nossa equipe?
Mande-nos um email ou entre em contato conosco.
Faremos as suas perguntas em nossas próximas entrevistas.

Por Anne Mascarenhas

Jornalista

(21) 3045-6979

(21) 8084-9360

contato@dificuldadesemaprendizagem.com.br

 

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